9.1.09

Essa menina ...

Existe uma menina que mora aqui que, ás vezes ela quer dormir bem cedo, que é pra acordar cedo e ver o dia passar bem devagar!
Às vezes ela quer ir na piscina, tomar sol, ficar morena, usar roupas chamativas pra ver se ganha uma flor, ou quem sabe, um novo amor!
Às vezes ela quer sair, pega seu tenis, seu jeans, sua bolsa tira-colo e vai desvendar o mundo, encher a cara, vai falar e ouvir besteira, depois volta com dor de cabeça: "Quero dormir".
Ás vezes ela quer dormir. Ixi, ai complica. Por que ela vira pro lado e dorme mesmo, não há quem tire essa menina da cama.
Ás vezes ela não quer dormir, passa a noite acordada, debruçada no seu diário, com seus poemas, só percebe que está com sono quando vê, lá fora, o dia clarear, os pássaros cantarem. Ai percebe que devia ter dormido, porque agora vai dormir até tarde e perder metade do dia.
Às vezes ela se sente culpada por ainda nao ter feito nada de importante na vida. Por nao ter mudado a vida de alguem. Nao ter ajudado ninguem a ser melhor.
Às vezes ela se sente culpada por nao poder ajudar todas as crianças carentes, os adolescentes perdidos, as mães que estão sozinhas, os pais que não se acham.
Às vezes ela quer se enterrar pra não ver a humanidade se perder.
Às vezes ela percebe que tem 18 anos e que muitas pessoas fizeram MUITA coisa depois dos 50.
Às vezes ela percebe que nao precisa esperar os 50 chegar, mas pode deixar as coisas acontecerem no seu tempo, do seu jeito.
Às vezes ela quer seu pai de volta, fica olhando pra porta esperando ele chegar, vê a cachorrinha chorar. Fica pensando que talvez um dia ... ás vezes ela desiste e chora.
Às vezes ela quer um colo de mãe, esse ela tem. Até que o telefone toca, o serviço ou a balada chama.
Às vezes ela quer um ouvido de irmã, um abraço de irmã, um sorriso de irmã, às vezes ela tem, outras vezes a irmã tem coisas mias importantes pra fazer né?
Às vezes ela quer matar a saudade do irmão mais velho, mas a distância que colocaram foi tão grande, que a mão nao alcança o telefone, os passos nao alcançam o prédio onde ele mora, a intimidade nao alcança o carinho que nao foi dado. Às vezes ela quer que ele durma aqui, com ela, e converse com ela sobre a vida dele, sobre os amores dele, sobre os planetas, a vida fora daqui. Às vezes ela queria que ele fosse o travesseiro dela, pra estar ali todas as noites. Às vezes ela desiste e chora.
Às vezes ela quer trazer o irmao mais novo pra morar com ela. Dar teto, comida e educação decente pro moleque. Aí tem a mãe dele, tem os primos dele, tem a vontade dele, não tem mais o pai dele. Às vezes ela desiste e chora.
Às vezes ela quer o irmão do meio (êta menina pra ter tanto irmao viu?). Só que ele tem a vida dele, a mulher dele, as filhas dele. Não tem mais tempo pra pular muro, cair do skate, chupar gelinho escondido, raspar a tigela do bolo, não pode mais dormir a tarde com ela, não pode mais ter aquele papo. Não pode.
Às vezes ela quer seus amigos, e ela tem um medo gigante de perder eles. Cada namorada que aparece ela treme toda, sabe que uma hora eles pulam do barco. Vao viver suas vidas, assim como o irmao dela. E não é porque gostam menos dela, mas porque tem que viver suas vidas. Ela vai ter que entender, sabe disso. Mas tem medo. Morre de medo, todos os dias.
Às vezes ela é possessiva, quer eles todo o tempo, todos os dias. Até mesmo quando nao tem assunto, quando nao tem eira nem beira, quer eles ali. Quietinhos, QUER!
Às vezes ela quer se declarar pra alguem. Escolhe alguem, e fala, fala, fala, fala tudo que vem à cabeça, se declara entrega sua vida nas mãos dele. Ai ela guarda o espelho (pra quem falou tudo isso), e vai arrumar o que fazer.
Às vezes ela quer amar. Ai vai, entrega seu coração pra qualquer pangaré abandonado, vive sua noite de cinderella, e acorda no outro dia, toda borralheira!
Às vezes ela quer salvar o mundo, um dia consegue!
Às vezes ela é só isso, de dar pena sabe? Pequenininha, sozinha, tristinha, pobrezinha MESMO!
Às vezes ela cresce, fica grande, bonita, sábia, de dar orgulho!

Às vezes ela quer fugir, mas ai se encontra!

Essa menina ...


quer ser cuidada!

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