29.1.09

"A estrela que eu escolhi não cumpriu com o que eu pedi e hoje não a encontrei Pois caiu no mar, e se apagou Se souber nadar, faça-me o favor O milagre que esperei nunca me aconteceu Quem sabe só você Pra trazer o que já é meu Brilha onde estiver Faz da lágrima o sangue que nos deixa de pé"
[O teatro Mágico - Brilha onde estiver]

"De repente toda mágica se acaboue na nossa casinha apertada Tá faltando graça e tá sobrando espaço"
[O Teatro Mágico - A Bailarina e o Soldado de Chumbo]

"Falta tanta coisa na minha janela Como uma praia Falta tanta coisa na memória Como o rosto dela Falta tanto tempo no relógio Quanto uma semana Sobra tanta falta de paciência Que me desespero Sobram tantas meias-verdades Que guardo pra mim mesmo Sobram tantos medos Que nem me protejo mais Sobra tanto espaço Dentro do abraço Falta tanta coisa pra dizer Que nunca consigo"
[O Teatro Mágico - Sobra Tanta Falta]

27.1.09

Mude

Clarice Lispector (Brasil)


Mude,mas comece devagar,porque a direcção é mais importanteque a velocidade. Sente-se em outra cadeira,no outro lado da mesa.Mais tarde, mude de mesa. Quando sair,procure andar pelo outro lado da rua.Depois, mude de caminho,ande por outras ruas,calmamente,observando com atençãoos lugares por ondevocê passa. Tome outros ónibus.Mude por uns tempos o estilo das roupas.Dê os seus sapatos velhos.Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteirapara passear livremente na praia,ou no parque,e ouvir o canto dos passarinhos. Veja o mundo de outras perspectivas.Abra e feche as gavetase portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama...depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv,compre outros jornais...leia outros livros,Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida.Ame a novidade.Durma mais tarde.Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dianuma outra língua.Corrija a postura.Coma um pouco menos,escolha comidas diferentes,novos temperos, novas cores,novas delícias. Tente o novo todo dia.o novo lado,o novo método,o novo sabor,o novo jeito,o novo prazer,o novo amor.a nova vida. Tente.Busque novos amigos.Tente novos amores.Faça novas relações. Almoce em outros locais,vá a outros restaurantes,tome outro tipo de bebidacompre pão em outra padaria.Almoce mais cedo,jante mais tarde ou vice-versa. Escolha outro mercado...outra marca de sabonete,outro creme dental...tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores.Vá passear em outros lugares.ame cada vez mais,de modos diferentes. Troque de bolsa,de carteira,de malas,troque de carro,compre novos óculos,escreva outras poesias. Jogue os velhos relógios,quebre delicadamenteesses horrorosos despertadores. Abra conta em outro banco.Vá a outros cinemas,outros cabeleireiros,outros teatros,visite novos museus. Mude.Lembre-se de que a Vida é uma só.E pense seriamente em arrumar um outro emprego,uma nova ocupação,um trabalho mais light,mais prazeroso,mais digno,mais humano. Se você não encontrar razões para ser livre,invente-as.Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,longa, se possível sem destino.Experimente coisas novas.Troque novamente.Mude, de novo.Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhorese coisas piores do que as já conhecidas,mas não é isso o que importa.O mais importante é a mudança,o movimento,o dinamismo,a energia.Só o que está morto não muda !Repito por pura alegria de viver:a salvação é pelo risco, sem o qual a vida nãovale a pena!!!!
Clarice Lispector (Brasil)

Por não estarem distraídos...


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque — a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras — e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
"Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos." [Clarice Lispector]
"O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. "
(Clarice Lispector)

26.1.09

Mudei

E agora ... graças a ela, estou por lá: me visitem!!!!

b.jos

23.1.09

Meameoumedeixe.

Mas eu ainda não sei, e não sei se vou saber como ele é como companheiro, se posso confiar, contar minha história, as falhas do meu chão, não sei se vale a pena insistir, e sinto que vou perder MUITO tempo caso decida que sim! Acredito que não é só porque o escolhi, quase inconscientemente, que devo sacrificar meus planos e meus sonhos todos com ele. Acho que eu posso seguir muito bem sem ele. Até melhor do que ao lado dele. É ... um pouco de auto-confiança não faz mal a ninguém!

13.1.09

A palavra forte

"Minhas palavras não são tão doces
Eu tenho uma conversa esquisita
Meu vinho não é tão suave
Eu tenho um gosto sutil
Minha maçã não é tão vermelha
Eu tenho uma cor discreta

Eu falo baixo
Coisas pequenas
Pra pouca gente
Mas procuro sempre...

Minhas palavras não são tão certas
Eu tenho uma certeza esquisita
Meus sentimentos não são comuns
Eu sinto coisas que mudam
Meu corpo não é tão real
Eu ando, eu ando,
Eu ando por outros mundos
Meus desejos não são simples
Eu sonho, eu sonho,
Eu sonho com o impossível

Eu falo baixo
Coisas pequenas
Pra pouca gente
Mas procuro sempre
A palavra forte!"

[Kid Abelha]

12.1.09

A ausência dele percorreu a noite.


"Eu queria mesmo só mais tarde e você me aparece assim tão cedo.

Eu, ressequido de ruim, e você me inunda de um assim tão bom.
Eu na fuga de um triste amargo e você me agrada assim tao doce.
Eu abafado, sem ar e quente, e você me abana um ar assim tão fresco.

Você não percebe que me assusta. É natural que eu apresse a marcha, arepie o pêlo e desapareça. Agoniado com esse futuro que se me anuncia tão bom.

É apenas natural."


Será que as suas apostas estão certas e, se ele pudesse, falaria isso pra mim?

Eu vou ser melhor, sem você!

"Sei que amores imperfeitos são as flores da estação."


Eu estava quieta, não queria confusão. Não estava pronta pra mais uma bomba, mais uma queda, ou algo do tipo. Fui feliz àquela festa. Estava feliz por rever amigos, poder beber e me divertir o quanto eu quisesse! Eis que rola aquela paquerinha antiga, o mal agoro de uma prima e PUMBÁ!, estava eu ali entregue a sorte nos braços dele. Ah, foi bom! Tivemos uma noite divertida, com direito a festa inesperada e dar perdido em um amigo querido, mancada à parte, foi divertido! Na semana seguinte lá estavamos nós novamente, nos divertindo horrores. Com direito a sms, ligações e vontade de se ver! Vamos a la fiesta!!! Duas noites juntos, e ganhamos a intimidade de um século. Pensei que já conhecia ele há séculos, e ele ... ah, ele foi me conhecendo naquelas noites. Foi me desvendando, me descobrindo, até que UAU!, estavamos tendo nosso momento mais intimo de todos! É engraçado a intimidade que nasce entre duas pessoas quando elas ficam sozinhas, as pessoas mudam, se transformam! O que eu estava fazendo?
Ai, ai, ai. Lá estava eu suspirando toda com aquele acontecimento. Ui, ui, ui. Claro que com toda a muralha do mundo em volta de mim. "Uhú! É ótimo ficar e não ter compromisso! É ótimo não dever nada a ninguem! É só isso que eu quero, estar livre sem compromisso. Mas ... mas por que ele nao me ligou hoje? Será que nao quer mais nada comigo? Será?" Por que eu vivo me cercando e bancando a durona quando TUDO o que eu quero é uma ligação, um carinho, atenção e tudo aquilo que uma mulher tem direito depois de entregar-se.
Well, NEM TUDO SÃO ROSAS.
Eis que as semanas passam, o telefone continua mudo, nem uma ligação, nem uma mensagem, nem um sinal de vida! E EU VOU VIVER! CANSEI DE SER SEXY! Ebaaaa, e são festas, viagens [hospitais também], TUDO ME DISTRAI! Eis que chega o final do ano, e o [gordo, fedido, chato, inútil] Papai Noel, me mandou um presente que eu não gostei, e ainda por cima chegou atrasado ... lá no dia 29/12. Grrrr, antes ele nao tivesse vindo!!!! Bom ... veio, eu ignorei, ele virou meu rosto, me beijou, levantou meu ego, me fez sentir A MELHOR, se mostrou O MELHOR tambem, eu me apeguei de novo. Nao queria ele pra namorar, pra ficar junto, pra ser meu. Eu só queria ele de vez em quando, de vez em nunca. Um dia sim e o outro não [ótima idéia]. Mas ele se esqueceu de tudo que me disse, se esqueceu do que fez, do que falou e do que mostrou!


Agora quero que se dane!
Vou explodir, e nem um pinguinho de mim vai cair em você, nem um respingo!

10.1.09

Pedro e Chico, pessoas especiais!

"Eu não queria a juventude assim perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida."

Chico Buarque

Qualquer dia desses preciso agradecer ao meu poeta_Pedro por ter me [re]apresentado Chico Buarque, dessa forma sublime. Eu ja o conhecia, afinal, quem não conhece? Mas o Pedro fez com que ele se tornasse especial.
Vira e meche, ele faz a trilha sonora do meu dia ser especial!

É ... gosto dele!

Essa é pra você, GATO!

"O problema de resistir a uma tentação é que você pode não ter uma segunda chance"

É tão simples

Quero mais
Quero mais
É tão simples abusar do meu espírito ingênuo
Já passaram mil romances, caravanas, sentimentos
Desarvorados
Num tempo sublime
Do verbo amar.
Amarei aquele que chegou
Pra não partir jamais
Partiu
Agora eu quero mais

[Querido] Chico Buarque

9.1.09

Essa menina ...

Existe uma menina que mora aqui que, ás vezes ela quer dormir bem cedo, que é pra acordar cedo e ver o dia passar bem devagar!
Às vezes ela quer ir na piscina, tomar sol, ficar morena, usar roupas chamativas pra ver se ganha uma flor, ou quem sabe, um novo amor!
Às vezes ela quer sair, pega seu tenis, seu jeans, sua bolsa tira-colo e vai desvendar o mundo, encher a cara, vai falar e ouvir besteira, depois volta com dor de cabeça: "Quero dormir".
Ás vezes ela quer dormir. Ixi, ai complica. Por que ela vira pro lado e dorme mesmo, não há quem tire essa menina da cama.
Ás vezes ela não quer dormir, passa a noite acordada, debruçada no seu diário, com seus poemas, só percebe que está com sono quando vê, lá fora, o dia clarear, os pássaros cantarem. Ai percebe que devia ter dormido, porque agora vai dormir até tarde e perder metade do dia.
Às vezes ela se sente culpada por ainda nao ter feito nada de importante na vida. Por nao ter mudado a vida de alguem. Nao ter ajudado ninguem a ser melhor.
Às vezes ela se sente culpada por nao poder ajudar todas as crianças carentes, os adolescentes perdidos, as mães que estão sozinhas, os pais que não se acham.
Às vezes ela quer se enterrar pra não ver a humanidade se perder.
Às vezes ela percebe que tem 18 anos e que muitas pessoas fizeram MUITA coisa depois dos 50.
Às vezes ela percebe que nao precisa esperar os 50 chegar, mas pode deixar as coisas acontecerem no seu tempo, do seu jeito.
Às vezes ela quer seu pai de volta, fica olhando pra porta esperando ele chegar, vê a cachorrinha chorar. Fica pensando que talvez um dia ... ás vezes ela desiste e chora.
Às vezes ela quer um colo de mãe, esse ela tem. Até que o telefone toca, o serviço ou a balada chama.
Às vezes ela quer um ouvido de irmã, um abraço de irmã, um sorriso de irmã, às vezes ela tem, outras vezes a irmã tem coisas mias importantes pra fazer né?
Às vezes ela quer matar a saudade do irmão mais velho, mas a distância que colocaram foi tão grande, que a mão nao alcança o telefone, os passos nao alcançam o prédio onde ele mora, a intimidade nao alcança o carinho que nao foi dado. Às vezes ela quer que ele durma aqui, com ela, e converse com ela sobre a vida dele, sobre os amores dele, sobre os planetas, a vida fora daqui. Às vezes ela queria que ele fosse o travesseiro dela, pra estar ali todas as noites. Às vezes ela desiste e chora.
Às vezes ela quer trazer o irmao mais novo pra morar com ela. Dar teto, comida e educação decente pro moleque. Aí tem a mãe dele, tem os primos dele, tem a vontade dele, não tem mais o pai dele. Às vezes ela desiste e chora.
Às vezes ela quer o irmão do meio (êta menina pra ter tanto irmao viu?). Só que ele tem a vida dele, a mulher dele, as filhas dele. Não tem mais tempo pra pular muro, cair do skate, chupar gelinho escondido, raspar a tigela do bolo, não pode mais dormir a tarde com ela, não pode mais ter aquele papo. Não pode.
Às vezes ela quer seus amigos, e ela tem um medo gigante de perder eles. Cada namorada que aparece ela treme toda, sabe que uma hora eles pulam do barco. Vao viver suas vidas, assim como o irmao dela. E não é porque gostam menos dela, mas porque tem que viver suas vidas. Ela vai ter que entender, sabe disso. Mas tem medo. Morre de medo, todos os dias.
Às vezes ela é possessiva, quer eles todo o tempo, todos os dias. Até mesmo quando nao tem assunto, quando nao tem eira nem beira, quer eles ali. Quietinhos, QUER!
Às vezes ela quer se declarar pra alguem. Escolhe alguem, e fala, fala, fala, fala tudo que vem à cabeça, se declara entrega sua vida nas mãos dele. Ai ela guarda o espelho (pra quem falou tudo isso), e vai arrumar o que fazer.
Às vezes ela quer amar. Ai vai, entrega seu coração pra qualquer pangaré abandonado, vive sua noite de cinderella, e acorda no outro dia, toda borralheira!
Às vezes ela quer salvar o mundo, um dia consegue!
Às vezes ela é só isso, de dar pena sabe? Pequenininha, sozinha, tristinha, pobrezinha MESMO!
Às vezes ela cresce, fica grande, bonita, sábia, de dar orgulho!

Às vezes ela quer fugir, mas ai se encontra!

Essa menina ...


quer ser cuidada!

Da chegada do amor


Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.
Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor não omisso
e que sua estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis um amor que amasse.


De Elisa Lucinda

“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.
O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la.
[...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.
É pouco, é muito pouco.”

Clarice Lispector

De que vale saber?

“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”

Clarice Lispector

Sou?

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

Clarice Lispector
"Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.”


Clarice Lispector

Do príncipe ao sim.

O homem que eu amo
veio de tanto eu pedir
mas quando parei de esperá-lo
veio quando eu ao depená-lo
do meu sonho receio,
permiti que em vez de início ou fim
ele no meio de mim
fosse só o meio.
Não meio no sentido tático
de jeito ou de modo.
Meio no sentido de durante
de enquanto
de presente.
Quando abandonei o título futuro
definitivo da eternidade
o rótulo azarento de garantia
no departamento de intimidade,
quando abandonei o desejo
de ressarcir aqui
o que perdi na antigüidade,
meu homem chegou cheio de saudade
ocupando inteiro
seu lugar de meio
sua inteira metade.

MARAVILHOSA Elisa Lucinda

8.1.09

Hino dos malucos

Nós, os malucos, vamos lutar
Pra nesse estado continuar
Nunca sensatos nem condizentes
Mas parecemos supercontentes
Nossos neurônios são esquisitos
Por isso estamos sempre aflitos
Vamos incertos
Pelo caminho
Nos comportando estranhos no ninho
Quando a solução se encontra, um maluco é do contra
Mas se vai por lado errado, um maluco vai do lado

Malucos, a nossa vida é dar bandeira
ligando a luz da cabeceira,se a água pinga na torneira
Malucos, a nossa luta é abstrata
já que afundamos a fragata,
mas temos medo de barata

Nós, os malucos, temos um lema
Tudo na vida é um problema
Mas nunca tente nos acalmar
Pois um maluco pode surtar
Os nossos planos são absurdos
Tipo gritar no ouvido dos surdos
Mas todo mundo que é genial
Nunca é descrito como normal
Quando o papo se esgota,
um maluco é poliglota
Mas se todo mundo grita,
um maluco se irrita

Malucos, somos iguais a diferença
e todos temos uma crença:
seguir a lei jamais compensa
Malucos, somos a mola desse mundo,
mas nunca iremos muito a fundo
nesse dilema tão profundo

Malucos, a nossa vida é dar bandeira,
ligando a luz da cabeceira,se a água pinga na torneira
Malucos, a nossa luta é abstrata,
já que afundamos a fragata,
mas temos medo de barata

5.1.09

Minha vida parou pra pensar!

Sabe aquela paquera que começa timida, vai arrancando sorrisos até te puxar pelo braço e se apresentar? Pois é ... 2009 veio assim.
Estava me paquerando desde o começo de Novembro, desde lá que eu só pensava nele. Nesse novo ano, tão esperado e desejado. Foi chegando, chegando, chegando e CHEGOU!

Chegou como um novo amor: sem nada pra oferecer que não seja frio na barriga, esperança de algo diferente, vontade de fazer tudo melhor do que na última vez! Chegou assim, na dele, sem promessas de um mundo melhor, de mudança de vida ...

Chegou, e quem sabe até não dê certo esse romance. Quem sabe eu não me apegue dessa vez, pra quando chegar o final desse ano eu sofrer e me despedir! Quem sabe ...

Que venha tão cheio de amor e tão grande que me roube o ar, os sonhos, e me leve longeeeee!

FELIZ 2009 PRA TODOS NÓS, E ESPECIALMENTE PRA MIM!