18.11.08

COM ELA

eu canto.
mas meu canto é como a vida dela. não acredio em técnica, tudo o que ocorre enquanto eu canto é fruto de emoção. e na vida dela, nada é pré, e não se sabe nada do pós. nosso encontro é esse. na vida.
eu sei que eu desafino ás vezes, mas desafino na vida também. e ela? e a emoção dela? quando ela desafina na vida?
o quanto eu tenho que cantar para obter acordes dissonantes na voz?
o quanto ela tem que amar para obter mundos escondidos, imitações da vida, guardados, ou melhor, não vividos dentro dela? um faxineiro das canções e um mito da vida.
ainda assim, sao vidas. e vidas repletas, com essências profundas e raízes que nos prendem o quanto necessário.
o jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação através da distância e do reconhecimento dela. eu nao saio de cena, e ela nunca se repete.
e não deixa de ser tão enigmatica quanto uma estrela mas estrelas sao frias. e ela é proxima. e arde nos meus pes como areia quente, no encontro com o mar, no qual eu elaboro e desdenho de mágoas e ventos que não me levam aonde quero. entao, nao me corrijo, apenas digo que a esfinge que vem dela, esse enigma, é uma estrela do mar. que vê figuras, entre elas, uma que traça um eixo de tamanha perfeiçãoe paralelo ao sol. e todas as figuras são assim: desenhos de sol, agrupamentos de pontos e um processamento de sinais, e assim - dizem - recontam seu trajeto.
agora retiram dela, tudo o que não era dela - e ai está ela, pelo salão, pelo mundo, pela cidade. parecida com ela. um rascunho. e eu no meu canto- conto eu canto e conto no suburbio do coração dela.
ela. essa forma nebulosa de luz, sombra, areia e sol.
como uma estrela-do-mar no vento de maio.
talvez um dia eu encontre nessa voz, uma emoção tao grande quanto a dela. um jeito de cantar essa poesia que eu sinto.
com ela.

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